Sempre me posicionei contra a realização da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos no Brasil. Fui rebatido que o País vive bom momento econômico, PIB caminhando junto das grandes potências, credibilidade frente ao mercado financeiro internacional e "a volta do sentimento de patriotismo ao povo". Posso até concordar, mas não aceitar. Meus argumentos podem ser considerados os mais subjetivos e superficiais, mas são os mais propícios para que um País, se fosse realmente sério, levasse em consideração para suportar tais eventos. Ao ler este texto, sei que terei amigos corintianos e petistas discordando do que seguirá. Plausível. Vivemos o regime democrático, por mais que muitos não o queiram, e fico aberto para discussões, para o debate.
Quando o Brasil foi escolhido sede da edição de 2014 da Copa do Mundo, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva chorou nos ombros de quem o cercava em Zurique, matriz da FIFA. Aqui no Brasil, o torcedor se inflou de orgulho e uma enxurrada de promessas de investimentos e melhorias tomaram conta das páginas dos jornais. Trem-bala, reforma do sistema aeroportuário, da rede hoteleira, de transporte e da construção de elefantes brancos por todo o País. Estádios no Amazonas e no Pantanal ao custo de milhões para que depois fique a indagação para que irão servir. Estas duas regiões não possuem times de representatividade no futebol. Como ficarão depois de levantados? Quem irá utilizá-los? E a manutenção, será encargo do Estado? Questões que não estão sendo levantadas.
O caso mais recente e que movimenta a opinião pública é do Corinthians. O Itaquerão custará à Prefeitura de São Paulo, isenção assinada ontem pelo prefeito da capital paulista Gilberto Kassab, R$ 420 milhões. Cálculos apontam que o valor total do estádio corintiano para 48 mil lugares está orçado em R$ 820 milhões. Na capital paulista, o Palmeiras também está levantando sua casa para 45 mil torcedores. A empreiteira responsável pela obra fixou, até o momento, R$ 300 milhões. Por que esta diferença de valor entre os estádios se ambos irão acolher quase a mesma quantidade de torcedores - diferença de apenas três mil? O que um tem e o outro não? Kassab disse ainda que o Itaquerão levará investimentos à Zona Leste. Ele já está no poder a oito anos, por que só agora estes benefícios poderão chegar? Por que não o fez antes? O próprio prefeito paulistano disse ainda em recente entrevista a uma rádio de São Paulo que "estudos apontam que a abertura da Copa no Itaquerão irá gerar R$ 1,5 bilhão para São Paulo". Que estudos são esses? Quem são os responsáveis? Baseados em quê? Se não atingir à expectativa, para quem poderemos cobrar?
Completando a abertura dos cofres públicos, sob lágrimas correntes do presidente do Corinthians, Andrés Sanches, o governador Geraldo Alckmin está repassando mais 70 milhões de reais, ou 20 mil lugares móveis, para a ratificação de o Itaquerão ser a porta de entrada para a Copa. São 70 milhões de reais para um único jogo. São R$ 420 milhões de reais de dinheiro público para levantar um estádio privado. Para parte do torcedor corintiano, dane-se tudo isso. O que importa é o status que o clube terá.
A moralidade de quem comanda o futebol brasileiro é outro estímulo para eu ser contra a Copa no País. Quem leu a reportagem da Revista Piauí do mês de julho com o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e da Comissão Organizadora da Copa do Mundo de 2014, Ricardo Teixeira, deparou-se com a autobiografia do mandatário do futebol no Brasil. Sua história foi colocada à mostra com todas as palavras sem pudor e respeito a quem sustenta o esporte mais popular e querido: o torcedor. Ele que vai ao estádio em jogo marcado para as 10 horas da noite, enfrente fila e dificuldades para comprar ingresso, encontra banheiros em condições de uso vergonhosos e ainda é vítima da violência de membros de torcidas (des) organizadas. Sem o receio, diz que pode fazer a maldade que quiser, pois sairá em 2015 para alcançar o posto de presidente da entidade máxima do futebol - a FIFA, com desdém afirma que não deve satisfação às contas da CBF, já que, segundo ele, é dinheiro privado - mesmo sendo, o futebol é um patrimônio do povo, e ainda mostra-se ditador quando ameaça filtrar quem receberá credencial para trabalhar na Copa.
Classe política também entra nesse engodo sórdido. As benesses de quem comanda o País salta aos olhos. Até por isso senhor Ricardo Teixeira não deve sofrer sanção ou investigação. Partes dos parlamentares são ligados à CBF e veem na Copa do Mundo uma forma de aumentar as já obesas contas bancárias. Se tiver alguma dúvida, só voltar ao passado e lembrar as CPI's da Nike e do Futebol. Os papéis foram arquivados e a personagem principal, Ricardo Teixeira, saiu gargalhando.
Em entrevista à Revista Playboy, no ano de 1999, o presidente da CBF foi questionado se o País tinha condições de suportar uma Copa do Mundo. Enfático, ele disse que os estádios estavam "quase prontos".
Quem ler este texto deve pode imaginar que sou avesso ao futebol. Pelo contrário. Acompanho, tenho meu time do coração, mas com os pés no chão, crítico. O País não está preparado para tal, moral e estruturalmente. Antes, toda a bagatela cedida pela Prefeitura de São Paulo ao Corinthians e tantas outras cifras pelo Brasil a fora deveriam ter destinos para obras de necessidades prioritárias: saúde, educação, saneamento básico, infraestrutura. Por que não se desenvolve a mesma Zona Leste do Itaquerão com hospital e escola? Vejo o brasileiro patriota e cantando o hino a cada quatro anos. Este fervor, que também tenho - não nego, também poderia ser canalizado para assuntos mais pontuais da nossa vida. Se cobrássemos de nossos representantes com a mesma força que gritamos ''gol'' na Copa do Mundo ou vibramos por um estádio com isenção fiscal de R$ 420 milhões, aí talvez pudesse ser favorável a receber o maior torneio do mundo de futebol.
Quando o Brasil foi escolhido sede da edição de 2014 da Copa do Mundo, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva chorou nos ombros de quem o cercava em Zurique, matriz da FIFA. Aqui no Brasil, o torcedor se inflou de orgulho e uma enxurrada de promessas de investimentos e melhorias tomaram conta das páginas dos jornais. Trem-bala, reforma do sistema aeroportuário, da rede hoteleira, de transporte e da construção de elefantes brancos por todo o País. Estádios no Amazonas e no Pantanal ao custo de milhões para que depois fique a indagação para que irão servir. Estas duas regiões não possuem times de representatividade no futebol. Como ficarão depois de levantados? Quem irá utilizá-los? E a manutenção, será encargo do Estado? Questões que não estão sendo levantadas.
O caso mais recente e que movimenta a opinião pública é do Corinthians. O Itaquerão custará à Prefeitura de São Paulo, isenção assinada ontem pelo prefeito da capital paulista Gilberto Kassab, R$ 420 milhões. Cálculos apontam que o valor total do estádio corintiano para 48 mil lugares está orçado em R$ 820 milhões. Na capital paulista, o Palmeiras também está levantando sua casa para 45 mil torcedores. A empreiteira responsável pela obra fixou, até o momento, R$ 300 milhões. Por que esta diferença de valor entre os estádios se ambos irão acolher quase a mesma quantidade de torcedores - diferença de apenas três mil? O que um tem e o outro não? Kassab disse ainda que o Itaquerão levará investimentos à Zona Leste. Ele já está no poder a oito anos, por que só agora estes benefícios poderão chegar? Por que não o fez antes? O próprio prefeito paulistano disse ainda em recente entrevista a uma rádio de São Paulo que "estudos apontam que a abertura da Copa no Itaquerão irá gerar R$ 1,5 bilhão para São Paulo". Que estudos são esses? Quem são os responsáveis? Baseados em quê? Se não atingir à expectativa, para quem poderemos cobrar?
Completando a abertura dos cofres públicos, sob lágrimas correntes do presidente do Corinthians, Andrés Sanches, o governador Geraldo Alckmin está repassando mais 70 milhões de reais, ou 20 mil lugares móveis, para a ratificação de o Itaquerão ser a porta de entrada para a Copa. São 70 milhões de reais para um único jogo. São R$ 420 milhões de reais de dinheiro público para levantar um estádio privado. Para parte do torcedor corintiano, dane-se tudo isso. O que importa é o status que o clube terá.
A moralidade de quem comanda o futebol brasileiro é outro estímulo para eu ser contra a Copa no País. Quem leu a reportagem da Revista Piauí do mês de julho com o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e da Comissão Organizadora da Copa do Mundo de 2014, Ricardo Teixeira, deparou-se com a autobiografia do mandatário do futebol no Brasil. Sua história foi colocada à mostra com todas as palavras sem pudor e respeito a quem sustenta o esporte mais popular e querido: o torcedor. Ele que vai ao estádio em jogo marcado para as 10 horas da noite, enfrente fila e dificuldades para comprar ingresso, encontra banheiros em condições de uso vergonhosos e ainda é vítima da violência de membros de torcidas (des) organizadas. Sem o receio, diz que pode fazer a maldade que quiser, pois sairá em 2015 para alcançar o posto de presidente da entidade máxima do futebol - a FIFA, com desdém afirma que não deve satisfação às contas da CBF, já que, segundo ele, é dinheiro privado - mesmo sendo, o futebol é um patrimônio do povo, e ainda mostra-se ditador quando ameaça filtrar quem receberá credencial para trabalhar na Copa.
Classe política também entra nesse engodo sórdido. As benesses de quem comanda o País salta aos olhos. Até por isso senhor Ricardo Teixeira não deve sofrer sanção ou investigação. Partes dos parlamentares são ligados à CBF e veem na Copa do Mundo uma forma de aumentar as já obesas contas bancárias. Se tiver alguma dúvida, só voltar ao passado e lembrar as CPI's da Nike e do Futebol. Os papéis foram arquivados e a personagem principal, Ricardo Teixeira, saiu gargalhando.
Em entrevista à Revista Playboy, no ano de 1999, o presidente da CBF foi questionado se o País tinha condições de suportar uma Copa do Mundo. Enfático, ele disse que os estádios estavam "quase prontos".
Quem ler este texto deve pode imaginar que sou avesso ao futebol. Pelo contrário. Acompanho, tenho meu time do coração, mas com os pés no chão, crítico. O País não está preparado para tal, moral e estruturalmente. Antes, toda a bagatela cedida pela Prefeitura de São Paulo ao Corinthians e tantas outras cifras pelo Brasil a fora deveriam ter destinos para obras de necessidades prioritárias: saúde, educação, saneamento básico, infraestrutura. Por que não se desenvolve a mesma Zona Leste do Itaquerão com hospital e escola? Vejo o brasileiro patriota e cantando o hino a cada quatro anos. Este fervor, que também tenho - não nego, também poderia ser canalizado para assuntos mais pontuais da nossa vida. Se cobrássemos de nossos representantes com a mesma força que gritamos ''gol'' na Copa do Mundo ou vibramos por um estádio com isenção fiscal de R$ 420 milhões, aí talvez pudesse ser favorável a receber o maior torneio do mundo de futebol.
Marcos Araújo



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