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sexta-feira, 6 de maio de 2011

E a FPF anda de um lado para outro...

Há pelo menos quatro anos, a Federação Paulista de Futebol vem tentando incluir, de fato, os clubes do interior no campeonato Paulista. As regras da competição tornaram-se tão instáveis quanto podem ser, implantadas sob um sistema de tentativa e erro, ocasionando divergências entre torcedores e clubes, na medida em que mexem com o vestígio de emoção que ainda resta no Paulistão - afinal, o campeonato pulsa grande parte em função do aguardo pelos clássicos entre os quatro maiores. Os resultados de tais intervenções não atingem ao certo as expectativas iniciais, sendo que os clubes paulistanos, mais o Santos, continuam a monopolizar o caneco da unidade mais próspera do país.

A primeira mudança que me ocorre como manifestação das intenções por parte da Federação em valorizar os times de menor porte foi a criação do título de “campeão do interior”: um campeonato a parte, contido num plano maior. Em tal modalidade, o time do interior melhor colocado também leva uma taça para casa, como reconhecimento de seus esforços. A despeito do ato da premiação - e nisso há de concordar o leitor -, segregar a competição dessa maneira não resolve nem em parte o paradoxo vigente no que concerne à competitividade. Um comentário pertinente trata da situação em que ficou a Portuguesa: não participa do campeonato do interior e tampouco tem condições de brigar pelo título principal. Sim, triste fase para um time tão tradicional!

Simpatias a parte, este ano também não escapou de protagonizar mais um capítulo da novela tratada neste texto. Desta vez, decidiu-se que os oito primeiros colocados nos pontos corridos disputariam um “mata-mata” – daqueles por excelência, com jogo único –, de modo que a renda seria dividida no esquema 60-40 (%). Se o objetivo era beneficiar os clubes menos expressivos com a renda obtida a partir do comparecimento dos torcedores dos clubes maiores, pode-se dizer que os resultados não foram muito animadores: o Oeste, adversário do “Midas” Corinthians, lucrou mais que Portuguesa e Ponte Preta juntos, já que estes dois últimos jogos não contaram com muito público (abaixo de 12 mil pagantes, para ambos). Justiça seja feita, jogar no feriado de Páscoa não é lá uma grande promessa de quórum nas arquibancadas.

O ponto-chave desta breve argumentação é o que segue: a FPF está buscando soluções internas para problemas que são externos ao campeonato. Tornar um time competitivo não é colocá-lo entre os classificados por meio do aumento de vagas, mas, pelo contrário, devem ser oferecidas condições reais para a recuperação dos times de menor porte. Afinal, espera-se que todas as equipes que disputam a fase eliminatória do Paulistão possam efetivamente brigar pelo título, abrilhantando o prestígio intrínseco de um dos estaduais mais tradicionais do Brasil.

A propósito, parabéns ao Guarani, Comercial e XV de Piracicaba, que tiveram a competência e garra para voltar à elite do Paulistão.


Por Victor Galbieri, estudante de economia dando pitaco.

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